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A imagem faz parte de um livro publicado no ano de 1647, por J. Blaeu (um importante cartógrafo holandês), em que está desenhado um conjunto de mapas do nordeste brasileiro, então ocupado pelos holandeses, decorados com cenas da vida quotidiana. A cena que apresentamos representa uma fazenda brasileira produtora de açúcar, na zona de Pernambuco.

16 de outubro de 2017

15 de outubro de 2017

Um santo português em resultado do confronto com os holandeses

Hoje, 15 de outubro de 2017, na Cidade do Vaticano, o Papa Francisco canonizou um conjunto de 35 novos santos. Um desses santos era um padre português, chamado Ambrósio Francisco Ferro.

Este padre foi morto por tropas holandesas, em 1645, no nordeste do Brasil. Os holandeses eram maioritariamente protestantes (designação de um conjunto de religiões cristãs não católicas).


Batalha dos Guararapes (1648-1649), entre portugueses e holandeses,
pelo controle de boa parte do nordeste brasileiro. A vitória dos
portugueses marcou o fim da ocupação holandesa na área.
Segundo a notícia que li, «Ambrósio Francisco Ferro era vigário de Rio Grande e terá sido torturado e assassinado no chamado “massacre de Uruaçú”, onde outras vítimas também foram torturadas, nomeadamente cortando-lhes a língua para que não proferissem orações católicas.»

Em Portugal, já se tinha verificado a Restauração da Independência (1 de dezembro de 1640), mas as relações com a Holanda não estavam pacificadas, pois os holandeses ainda procuravam ganhar terras aos portugueses no Brasil.


Em baixo, o desenho de um desfile (procissão?) de nativos de uma aldeia da região do Rio Grande, levando a bandeira holandesa - 1647.



Fazenda produtora de açúcar - desenho

No momento em que esta mensagem é escrita, na abertura do blog encontra-se uma imagem que faz parte de um livro publicado no ano de 1647, por J. Blaeu (um importante cartógrafo holandês), em que está desenhado um conjunto de mapas do nordeste brasileiro, então ocupado pelos holandeses, decorados com cenas da vida quotidiana. A cena que apresentamos representa uma fazenda brasileira produtora de açúcar, na zona de Pernambuco.

Na imagem abaixo, a cena aparece integrada no mapa de que fazia parte, enquanto elemento decorativo.



Pormenor do funcionamento do engenho

Esta figura já integrou outra mensagem deste blogue, em anterior ano letivo. Mas fazemos aqui a legenda das diferentes partes que constituíam uma fazenda produtora de açúcar.



11 de outubro de 2017

Ficha de avaliação - 6.º ano

Aproxima-se a data da primeira ficha de avaliação de HGP.

Os alunos das turmas 6.º A, 6.º D, 6.º E, 6.º F e 6.º G encontram aqui os conteúdos que irão ser abordados e o guião de estudo.

Qualquer dúvida pode ser enviada para carloscarrasco9@gmail.com

Bom trabalho!


8 de outubro de 2017

Guerra da Restauração ou da Aclamação

Batalha de Montes Claros


Confrontos entre portugueses e espanhóis na Guerra da Restauração ou Guerra da Aclamação (a negrito as mais importantes, assinaladas no mapa):

1644 - Montijo (Espanha) - difícil vitória dos portugueses;
1644 - Cerco de Elvas pelos espanhóis;
1648 - Cerco de Olivença pelos espanhóis;
1653 - Recontro de Arronches;
1657 - Olivença é tomada pelos espanhóis.
1658 - Cerco de Elvas pelos espanhóis;
1658 - Cerco de Badajoz pelos portugueses;
1659 - Batalha das Linhas de Elvas - grande vitória dos portugueses;
1663 - 22 de maio - Évora é conquistada pelos espanhóis;
1663 - julho - Batalha do Ameixial - vitória importante dos portugueses, que recuperam a cidade de Évora;
1664 - Batalha de Castelo Rodrigo - vitória dos portugueses;
1665 - 17 de julho - Batalha de Montes Claros (ou de Vila Viçosa) - considerada a última grande batalha da Restauração - vitória portuguesa (D. Filipe IV de Espanha morre 2 meses depois).

A 5 de janeiro de 1668 foi assinado o Tratado de Madrid que firmou a paz com a Espanha. Este tratado foi ratificado em Lisboa, a 13 de fevereiro.


Sobre as fortalezas (re)construídas durante este período, podem ler o texto aqui.

Fortaleza de Peniche

Forte de S. Sebastião da Caparica (a chamada Torre Velha),
na margem do rio Tejo, em frente a Lisboa

Planta da fortaleza de Campo Maior


6 de outubro de 2017

A Restauração de 1640 - vídeo

Vídeo sobre a Restauração da Independência (1 de dezembro de 1640)


Um palácio e 40 conjurados - vídeo

Uma visita guiada ao Palácio dos Almadas - depois conhecido como o Palácio da Independência - um palácio que esteve no centro da ação dos restauradores, situado na Baixa de Lisboa, ali mesmo ao pé da Praça de D. Pedro IV (Rossio)



Palácio da Independência

Os 40 Conjurados no desenho de Manuel Lapa

Reunião secreta dos Conjurados


1 de dezembro de 1640 - Restauração da Independência

A data de 1 de dezembro de 1640 é uma data muito importante para a História de Portugal.
Nesse dia, através da ação dos Conjurados - os nobres que conspiraram contra o domínio filipino - Portugal readquiriu a sua independência.

Os Conjurados, desenho de Manuel Lapa (1936)
Em Lisboa, no ano de 1886, o rei D. Luís inaugurou um monumento evocativo da Restauração, na praça que tem o nome de Praça dos Restauradores.

Cerimónia da inauguração do monumento dos Restauradores


O monumento dos Restauradores, um obelisco com quatro faces, é da autoria de António Tomás da Fonseca.


Nas quatro faces estão gravadas as datas mais significativas da Restauração e das campanhas militares (batalhas) que se sucederam.

A inscrição da data em que o Tratado de Madrid
foi confirmado (ratificado) em Lisboa

O monumento está ornado, a norte e a sul, com duas estátuas, o Génio da Independência (do escultor Alberto Nunes) e a Vitória (do escultor Simões de Almeida), respetivamente.

O Génio da Independência



5 de outubro de 2017

Da crise de sucessão à Restauração

Encontram, na ligação abaixo, um friso cronológico que vai desde o nascimento de D. Sebastião (1554) ao Tratado de Lisboa (1668).
O Tratado de Lisboa, é a ratificação (confirmação) da paz assinada no Tratado de Madrid no mês anterior - o Tratado de Madrid foi assinado a 5 de janeiro e o de Lisboa a 13 de fevereiro de 1668.


Se moverem o retângulo que se encontra na parte inferior do friso, verão desfilar os principais acontecimentos deste período da História de Portugal.

Se clicarem nos acontecimentos ou nas personagens que se encontram no friso cronológico -  mais ⇒  - têm acesso a mais informações sobre esses acontecimentos e essas personagens.

Os acontecimentos de 5 de outubro de 1910


A imagem de abertura do blogue é a reprodução de uma gravura colorida, possivelmente da autoria de Cândido da Silva, alusiva aos principais acontecimentos da revolução que se iniciou na noite do dia 3 de outubro e que culminou com a proclamação do regime republicano na manhã do dia 5.


Os acontecimentos encontram-se numerados de 1 a 8 (da esquerda para a direita e de cima para baixo), estando ao centro a figura que simboliza a República. Os episódios retratados são os seguintes:
1 - Bombardeamento do Palácio das Necessidades (palácio real) por barcos da Marinha posicionados no rio Tejo.
2 - A fuga da família real, a partir da praia da Ericeira.
3 - Padres jesuítas, feitos prisioneiros, a serem conduzidos para o forte de Caxias.
4 - (atrás da figura simbólica da República)  Edifício da Câmara Municipal, de cuja varanda foi proclamada a República.
5 - Desembarque de forças da Marinha no Terreiro do Paço.
6 e 8 - Posições dos republicanos na Rotunda da Avenida da Liberdade.
7 - Apresentação dos elementos do Governo Provisório a Machado dos Santos, líder militar que teve um papel fundamental na vitória dos republicanos.
Em baixo, por terra, um dragão (símbolo da Casa de Bragança e do exército monárquico), junto com a coroa, símbolo da monarquia.

Consequências da Restauração



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A Restauração da Independência



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A dinastia filipina



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De D. Sebastião a D. Filipe I



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22 de setembro de 2017

A união dos impérios após a união das coroas (1580)


O Império Português e o Império Espanhol antes da união das coroas de Portugal e de Espanha
O Império Espanhol após a união das coroas, em 1580


Crise dinástica de 1580

O cardeal D. Henrique sucedeu no trono a D. Sebastião, quando este morreu na batalha de Alcácer Quibir (1578) e não deixou herdeiros.
Fazendo parte do clero, D. Henrique não tinha filhos.

Com a morte do cardeal D. Henrique, em 1580, não havia sucessor direto ao trono.
Candidatos havia 3, todos eles netos de D. Manuel I:

  • D. Filipe II, rei de Espanha
  • D. Catarina, duquesa de Bragança
  • D. António, Prior do Crato


Os grupos sociais tinham posições diferentes em relação a estes candidatos.

Imagens do manual adotado 
Duarte Manuel Freitas, Sérgio Neto e Ana Lopes Ferreira, 
Descobrir, Santillana




11 de julho de 2017

Aclamação de D. Miguel como rei absoluto

Quando D. João VI morreu, em 10 de março de 1826, tinha dois filhos varões.
O mais velho, D. Pedro, era imperador do Brasil e o segundo, D. Miguel, estava exilado em Viena (Áustria), na sequência das revoltas que tinha liderado em Portugal para impor o regresso à monarquia absolutista.
A sucessão ao trono não era um caso simples.

D. João VI

D. Pedro e D. Miguel

D. João VI, dias antes de morrer, nomeou um Conselho de Regência que devia governar o país enquanto ele estivesse doente. O Conselho era presidido pela infanta Isabel Maria.
Com a morte de D. João, havia vários entendimentos sobre a sucessão ao trono.
De um modo geral houve a aceitação de D. Pedro como sucessor, acreditando-se que iria renunciar ao trono a favor de sua filha, D. Maria da Glória, ou de seu irmão, D. Miguel.

D. Maria II

Em julho de 1826, D. Pedro fez chegar a Lisboa a Carta Constitucional que outorgava ao reino e abdicou em D. Maria (com 7 anos de idade), com duas condições: D. Maria (que vivia com o pai no Brasil) devia jurar a Carta Constitucional e casar com D. Miguel, seu tio (que também devia jurar a Carta).
A infanta D. Isabel Maria jurou o novo texto constitucional, mas no reino iniciaram-se as manifestações e as revoltas dos absolutistas. Foram muitos os confrontos armados que se sucederam.



Em Viena, D. Miguel jurou a Carta na presença de diplomatas austríacos e dos embaixadores de Portugal e do Brasil, no dia 4 de outubro de 1826.
A 29 do mesmo mês, ainda em Viena, foram realizados os esponsais, isto é, tratados todos os documentos do seu casamento com D. Maria. O “Ato do Casamento” devia ser celebrado no Rio de Janeiro, o que nunca veio a acontecer.

Por decreto de 3 de julho de 1827, D. Pedro nomeou D. Miguel seu lugar-tenente em Portugal e regente, para que pudesse governar em seu nome. Iniciou-se, então, a preparação do seu regresso a Portugal.
D. Miguel partiu de Viena com a sua comitiva, a 6 de dezembro de 1827.
Depois de uma viagem em que passou por Paris e por Londres, desembarcou em Belém a 22 de fevereiro de 1828.

A 13 de março, D. Miguel dissolveu a Câmara dos Deputados, pondo fim às ilusões liberais e despertando as ações realistas que o levariam ao trono. A Carta Constitucional deixou de ser respeitada. Os mais conhecidos liberais, ameaçados e perseguidos, começaram a emigrar.


A 2 de maio, após uma reunião de D. Miguel com conselheiros de Estado, ministros e chanceleres, foi decidido convocarem-se as Cortes – as “velhas cortes”, com a representação dos chamados três estados: clero, nobreza e povo, que já não reuniam desde 1697-98 – para tratar da proclamação de D. Miguel como rei.

Em Aveiro e no Porto deram-se pronunciamentos militares liberais.
A convocatória das Cortes foi feita por decreto de 3 de junho e a sua reunião iniciou-se a 23, no Palácio da Ajuda. Após a sessão de abertura, os três estados reuniram-se em separado no dia 25: a nobreza no Convento de S. Roque, o clero na Igreja de Santo António e o povo na Igreja do Convento de S. Francisco.
«Passaram o dia “a tratar do grave objeto” e em cada braço (estado) decidiu-se por aclamação que D. Miguel era o único legítimo rei de Portugal.»


Depois de tratadas as formalidades, a 7 de julho teve lugar o juramento e a aclamação de D. Miguel perante os três estados e, finalmente, a 11 de julho, os três estados assentaram (registaram por escrito) em reconhecer os direitos de D. Miguel ao trono, declarando-o rei de Portugal.


Portugal regressava à monarquia absoluta.

Até que um dia, D. Pedro…


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O texto simplifica as complexas questões jurídicas em torno dos poderes de D. Pedro e da regência de D. Miguel, assim como a interferência política das principais potências europeias, como a Espanha, a França e, sobretudo, a Áustria e a Inglaterra.


4 de julho de 2017

Um atentado contra Salazar - há 80 anos

Não foi a primeira ação violenta desse ano, mas visou o próprio Chefe do Governo do regime do Estado Novo.

Na manhã do dia 4 de julho de 1932, um Domingo, Salazar dirigia-se, como habitualmente, para a capela da residência do seu amigo Josué Trocado, um palacete na Av. Barbosa du Bocage, na zona das Avenidas Novas, em Lisboa.

À chegada, o motorista abriu a porta do automóvel. Saiu o chefe de gabinete do Presidente do Conselho, Leal Marques, e Salazar, ainda agarrado à porta do carro, pôs um pé no chão. Nesse momento rebentou uma bomba colocada num coletor de esgoto.
Salazar caiu para dentro do carro, mas levantou-se de imediato, «sorridente, com absoluto domínio de vontade, serenando os amigos num gesto», segundo o relato do jornal O Século

Notícia do atentado no Diário de Lisboa
O rebentamento da bomba provocou uma chuva de terra e pedras. Na rua, abriu-se uma cratera. Os vidros das residências vizinhas partiram-se e as tampas das sarjetas ficaram destruídas num raio de 500 metros.



Ainda de acordo com O Século, Salazar «relanceou, rápido, um olhar sobre o montão de terra, pedras, ferros torcidos e manilhas partidas e disse: “Bem, vamos à missa!”» 



Na realização do atentado estiveram implicados anarco-sindicalistas e, muito possivelmente, elementos com ligação ao Partido Comunista e a correntes republicanas.
 
Por que razão o atentado não teve sucesso? Porque o comprimento o recipiente que continha o explosivo, colocado sob o pavimento da rua e que devia deflagrar no momento e no local onde o automóvel do Chefe do Governo costumava parar, "excedia as dimensões da ligação entre a rede de esgotos e o coletor situado por debaixo do automóvel". A bomba ficou entalada e numa posição diferente da prevista, pelo que, quando foi acionada à distância, o "sentido" da explosão se desviou da direção pretendida pelos autores do atentado.



Brigadas da polícia política (na época chamada PVDE, Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), da PSP (Polícia de Segurança Pública) e da PIC (Polícia de Investigação Criminal, que está na origem da Polícia Judiciária) iniciaram a “caça ao homem”. O bairro de Alcântara, onde viviam alguns dos responsáveis pelo atentado, esteve cercado. 

Dez dias depois do atentado começaram a ser feitas prisões. Mas entre os presos estiveram vários inocentes que, debaixo de tortura, confessaram o que não tinham feito. Até que os verdadeiros implicados foram presos. Julgados em tribunal militar, um dos principais cabecilhas, Emídio Santana, foi condenado a 16 anos de prisão, mas houve quem fosse condenado a 18 anos (e tivesse morrido na prisão – o que aconteceu a dois dos condenados) e houve implicados que conseguiram escapar.


Manifestações de apoio a Salazar
Salazar foi objeto de muitas manifestações de apoio, foram celebradas muitas missas de ações de graça por ter escapado ileso, uma marcha de senhoras deixou rosas à sua porta e recebeu telegramas de solidariedade de Hitler e de Mussolini, os ditadores da Alemanha e da Itália.

Preces pelo "Salvador da Nação Portuguesa"

Embora Salazar considerasse que tinha muita sorte “nestas coisas”, foi depois deste acontecimento que decidiu instalar-se num palacete construído, em 1877, nas traseiras do chamado Palácio de S. Bento, e que se tornou, desde então, residência oficial do Chefe do Governo em Portugal.

Salazar (4.º a contar da direita) e os seus ministros

Tendo escapado ao atentado, António de Oliveira Salazar seria Chefe do Governo - Presidente do Conselho de Ministros - até 1968.