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Igreja de Santo António, Lagos - Edifício de estilo barroco, com a nave decorada com azulejos e talha dourada, a igreja deve ter sido construída no reinado de D. João V.

23 de fevereiro de 2016

Turmas do 6.º ano - Guia de Estudo n.º 6

Guia de Estudo n.º 6 - pág. 1

Guia de Estudo n.º 6 - pág. 2

Bom trabalho


A primeira locomotiva a vapor

A primeira viagem de uma locomotiva a vapor aconteceu há 112 anos, no País de Gales (Grã-Bretanha).
A locomotiva foi concebida pelo engenheiro de minas Richard Trevithick.

Nesse território, as fundições fabricavam produtos pesados e o transporte sobre via férrea, como nas minas, parecia ser a solução ideal, mas sem . A invenção da máquina a vapor, por James Watt, em 1776 e os primeiros aparelhos movidos a vapor permitiam pensar em soluções mais eficazes.
Um proprietário de fundições desafiou o engenheiro, seu amigo, a construir uma máquina capaz de transportar 10 toneladas.
Foi assim que surgiu a primeira locomotiva a vapor, com uma caldeira sobre uma carreta.

No dia 21 de fevereiro de 1804, Richard Trevithick colocou 10 toneladas de ferro em cinco vagões e convidou 60 pessoas para a "longa" viagem de 16 km, também em cinco vagões.
O trajecto foi cumprido em 4 horas e 5 minutos - cerca de 4km/hora*.



* Também já li em vários textos que a velocidade teria sido de 8 km/hora - muito mais rápido!


22 de fevereiro de 2016

Fábricas do Seixal do século XIX

Fábrica da Companhia de Lanifícios da Arrentela




Vista aérea da antiga fábrica (2005)

Fábrica de Vidros de Amora



Vista aérea do local onde se localizava a fábrica (2005)
As instalações fabris da imagem são da fábrica de cortiça Queimado & Pampolim
Neste sítio localiza-se, hoje, um hipermercado


Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços



Vista aérea (2005)
A antiga fábrica é, hoje, uma extensão do Ecomuseu Municipal do Seixal.


21 de fevereiro de 2016

40 anos da Constituição da República Portuguesa


A Câmara Municipal do Seixal organizou um concurso comemorativo do 40.º aniversário da Constituição da República.
O grupo de alunos do 6.º F que integram o Clube de Jornalismo - David, Diogo, Guilherme F., Guilherme S., João e Tiago - vai participar.


20 de fevereiro de 2016

Viagem de Vasco da Gama (12) - A chegada

A 10 de julho de 1499, 2 anos e 2 dias depois da partida, a nau Bérrio, capitaneada por Nicolau Coelho, regressou com a boa nova de que a viagem tinha sido concretizada com sucesso.
Vasco da Gama só faria a entrada solene em Lisboa a 8 de setembro, recebendo depois grandes recompensas e honras.
Dos cerca de 150 homens que partiram, menos de metade conseguiu regressar.

Os muçulmanos dificultaram o sucesso diplomático e comercial da expedição e Vasco da Gama não tinha ido devidamente preparado com as mercadorias adequadas ao comércio asiático.
Mas os lucros obtidos com as poucas especiarias trazidas foram suficientes para pagar as despesas da viagem. E o mais importante fora conseguido: abriu-se a Rota do Cabo da Boa Esperança, que unia o Ocidente e o Oriente.

Vasco da Gama

Em carta enviada aos Reis Católicos de Espanha, Fernando e Isabel, D. Manuel I resumiu a viagem de Vasco da Gama, informando que "acharam e descobriram a Índia e outros Reinos e Senhorios", tendo encontrado no Índico grandes e numerosas povoações, "nas quais se faz todo o trato da especiaria e de pedraria [pedras preciosas]". «Trouxeram logo agora estas quantidades, a saber: de canela, cravo, gengibre, noz moscada, e pimenta e outros modos de especiaria e ainda os lenhos e folhas deles mesmos; e muita pedraria fina de todas as sortes: a saber: rubis, e outras; e ainda acharam terra, em que há minas de ouro, do qual e da dita especiaria e pedraria, não trouxeram logo tanta soma, como puderam, por não levarem mercadoria.»

Em carta enviada ao cardeal D. Jorge da Costa (cardeal Alpedrinha), D. Manuel intitula-se, pela primeira vez, "por Graça de Deus, rei de Portugal e dos Algarves, daquém e além mar em África, e senhor da Guiné e da conquista da navegação e comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia".

D. Manuel I


Viagem de Vasco da Gama (11) - O regresso

A estadia em Calecute durou perto de 3 meses, mais exatamente 101 dias (20 de maio a 29 de agosto de 1498) e não foi totalmente positiva no estabelecimento de relações com os orientais. Os muçulmanos colocaram obstáculos à expedição e Vasco da Gama não ia devidamente preparado com as mercadorias adequadas ao comércio asiático.

«Uma quarta-feira, que foram 29 dias do dito mês de agosto, visto como já tínhamos achado e descoberto o que vínhamos buscar, assim de especiaria como de pedras preciosas, e como não podíamos acabar de nos despedir da terra, com paz e amigos da gente, houve por conselho o capitão-mor com os outros capitães de nos partirmos e levarmos aqueles homens [prisioneiros] que tínhamos; porque aqueles, tornando a Calecute, fariam fazer as amizades.
E logo fizemos as velas e nos partimos caminho de Portugal, vindo todos muito ledos, por sermos tão bem aventurados de acharmos uma tão grande coisa como tínhamos achado.»

O relato da viagem de regresso é mais breve.

[13 de janeiro de 1499] «E ao domingo fomos pousar em os baixos de São Rafael, onde pusemos fogo ao navio deste nome, porquanto era coisa impossível navegarem três navios com tão pouca gente como éramos. Aqui passámos todo o fato deste navio aos outros dois que nos ficaram.»

O relato é interrompido a 25 de abril de 1499.
«E uma quinta-feira, 25 dias do mês de abril, achámos fundo de 35 braças; e todo o dia fomos por este caminho, e o menos fundo foram 20 braças; e não pudemos haver vista de terra. E os pilotos diziam que éramos nos baixos do rio Grande.»

Sabe-se que Vasco da Gama, perante o agravamento do estado de saúde do seu irmão, fez escala na ilha Terceira, nos Açores. Mas Paulo da Gama morreu pouco depois de ter sido transportado para o Convento de S. Francisco, em cuja igreja foi sepultado.

Igreja do Convento de S. Francisco
Lápide que assinala que Paulo da Gama foi sepultado naquele convento

Vasco da Gama chegaria a Lisboa 2 meses depois de Nicolau Coelho.


Viagem de Vasco da Gama (10) - Encontro com o Samorim de Calecute

«E daqui nos fomos e, à entrada da cidade, nos levaram a outra, a qual tinha estas mesmas coisas acima contadas. Aqui recresceu a gente muito, que nos vinha ver, que não cabia pelo caminho. E, depois que fomos por esta rua um grande pedaço, meteram o capitão em uma casa e também nós outros com ele, por respeito da gente que era muita. Aqui mandou el-rei um irmão do bale, o qual era grande senhor nesta terra, o qual vinha para ir com o capitão, e trazia muitos tambores e anafis e charamelas e uma espingarda, a qual ia atirando ante nós; e assim levaram o capitão com muito acatamento, tanto e mais do que se podia em Espanha fazer a um rei. E a gente era tanta que não tinha conto; e os telhados e casas eram todos cheios, afora a que connosco ia de roldão, entre a qual gente iriam ao menos dois mil homens de armas; e quanto mais nós chegávamos para os paços, onde el-rei estava, tanto mais gente recrescia. E, tanto que chegámos ao paço, vieram para o capitão homens muito honrados e grandes senhores, afora outros muito que já iam com ele; e seria uma hora de sol quando chegámos aos paços; entrámos por uma porta a um terreiro muito grande e, antes que chegássemos à porta onde el-rei estava, passámos quatro portas, as quais passámos por força dando muitas pancadas à gente; e quando chegámos à derradeira porta, onde el-rei estava, saiu de dentro um velho, homem baixo de corpo, o qual é como bispo, e o rei se rege por ele nas coisas da igreja; o qual abraçou o capitão à entrada desta porta, e à entrada dela se feriram homens e nós entrámos com muita força. El-rei estava em um patim, lançado de costas em uma camilha, a qual tinha estas coisas: um pano de veludo verde debaixo e, em cima, um colchão muito bom; e, em cima do colchão, um pano de algodão muito alvo e delgado, mais do que nenhum linho; e também tinha almofadas deste teor; e tinha à mão esquerda uma copa de ouro muito grande, da altura de um pote de meio almude, e era da largura de dois palmos na boca, a qual era muito grossa, ao parecer; na qual talha lançava bagaço de umas ervas, que os homens desta terra comem pela calma, a qual erva chamam atambor; e da banda direita estava um bacio de ouro, quanto um homem pudesse abranger com os braços, em o qual estavam aquelas ervas, e muitos agomis de prata, e o céu de cima era todo dourado. E assim, quando o capitão entrou, fez sua reverência, segundo costume daquela terra, a qual é juntar as mãoes e levantá-las para o céu, como costumam os cristãos levantar a Deus; e, assim como as levantam, abrem-nas e cerram os punhos mui asinha. E ele acenou ao capitão, com a mão direita, que se fosse para debaixo daquele cerrado onde ele estava; porém o capitão não chegava a ele, porque o costume da terra é não chegar nenhum homem ao rei, salvo chegava a ele um seu privado que lhe estava dando aquelas ervas; e quando algum homem lhe fala tem a mão ante a boca, e está arredado. Assim como acenou ao capitão olhou para nós outros, e mandou que nos assentássemos em um poial, perto dele, em lugar que nos via ele estar; e mandou-nos dar água às mãos, e mandou trazer uma fruta, que é feita como melões, salvo que de fora são crespos, mas de dentro são doces; e também nos mandou trazer outra fruta, que é como figos e sabe muito bem; e tínhamos homens que no-los estavam aparando, e el-rei estava olhando como nós comíamos, e estava-se rindo para nós; e falava com aquele seu privado, que estava à sua ilharga dando-lhe a comer aquelas ervas. E depois disto olhou ao capitão, que estava sentado defronte, e disse que falasse com aqueles homens com que estava, que eram muito honrados, e que lhes dissesse o que ele quisesse, e que eles lho diriam; respondeu o capitão-mor que ele era embaixador de el-rei de Portugal, e que lhe trazia uma embaixada e que não a havia de dar salvo a ele; disse el-rei que era muito bem, e logo o mandou levar dentro, a uma câmara; e, quando foi dentro, el-rei se levantou donde estava e se foi para o capitão, e nós ficámos em aquele lugar. Isto seria ali junto com o sol-posto; e, assim quando el-rei se alevantou, foi logo um homem velho que estava dentro, naquele patim, e levantou a camilha; e a baixela ficou ali; el-rei quando foi onde estava o capitão, lançou-se em outra camilha, em que estavam muitos panos lavrados de ouro, e fez pergunta ao capitão: que era o que queria? E o capitão lhe disse como ele era embaixador de um rei de Portugal, o qual era senhor de muita terra e era muito rico de todos as coisas, mais que nenhum rei daquelas partes; e que havia sessenta anos que os reis seus antecessores mandavam, cada ano, navios a descobrir aquelas partes, porquanto sabiam que, em aquelas partes, havia reis cristãos como eles. E que, por este respeito, mandavam a descobrir esta terra, e não porque lhes fosse necessário ouro nem prata, porque tinham tanto em abundância que lhes não era necessário havê-los desta terra; os quais capitães [desses navios] iam e andavam lá um ano e dois, até que lhes falecia o mantimento, e sem acharem nada voltavam para Portugal; e que agora um rei, que se chamava D. Manuel, lhe mandara fazer estes três navios e o mandara por capitão-mor deles; e lhe dissera que se ele não tornasse a Portugal até que lhe não descobrisse este rei dos cristãos, e que se tornasse que lhe mandaria cortar a cabeça; e que se o achasse que lhe desse duas cartas, as quais cartas lhe ele daria ao outro dia; e que assim lhe manda dizer, por palavras, que ele era seu irmão e amigo. El-rei respondeu a isto, e disse que ele fosse bem-vindo, e que assim o havia ele por irmão e amigo, e que ele lhe mandaria embaixadores a Portugal com ele; dizendo o capitão que assim lho pedia de mercê, porquanto ele não ousaria aparecer presente [a] el-rei, seu senhor, se não levasse alguns homens da sua terra. Estas e outras muitas coisas passaram [entre] ambos, dentro daquela câmara; e, porquanto era já muito noite, el-rei disse que: com quem queria ele pousar, se com cristãos, se com mouros? E o capitão lhe respondeu que nem com cristãos, nem com mouros; e que lhe pedia por mercê que lhe mandasse dar uma pousada sobre si, em que não estivesse ninguém; e el-rei disse que assim o mandava; e nisto se despediu o capitão de el-rei, e veio ter connosco onde estávamos lançados em uma varanda onde estava um grande castiçal de arame que nos alumiava; e isto seriam já bem quatro horas da noite. […]


Relação da primeira viagem à Índia pela armada chefiada por Vasco da Gama


11 de fevereiro de 2016

Ficha de avaliação do 5.º C

Os alunos do 5.º C podem encontrar aqui os conteúdos e objetivos da próxima ficha de avaliação.

Bom trabalho.

Dúvidas podem ser colocadas para carloscarrasco9@gmail.com

Comunicaram-me problemas com a ligação. Pensei que já tinha resolvido o problema , mas volta a pedir mail e password.
Vou ver se consigo enviar a informação pelo mail da turma.


4 de fevereiro de 2016

Viagem de Vasco da Gama (9) - Calecute

«E ao domingo fomos juntos com umas montanhas, as quais são mais altas que os homens nunca viram as quais estão sobre a cidade de Calecut; e chegámo-nos tanto a elas até que o piloto que levávamos as conheceu, e nos disse que aquela era a terra onde nós desejávamos de ir. Em este dia à tarde fomos pousar abaixo desta cidade de Calecut duas léguas; e isto porque ao piloto pareceu, por uma vila que ali estava, a que chamam Capua, que era Calecut; e abaixo desta vila esta outra que se chama Pandarane, e pousámos ao longo da costa, obra de uma légua e meia da terra. E, depois que assim estivemos pousados, vieram de terra a nós quatro barcos, os quais vinham por saber que gente éramos e nos disseram e mostraram Calecut.

E ao outro dia isso mesmo vieram estes barcos aos nossos navios, e o capitão-mor mandou um dos degredados a Calecut; e aqueles com que ele ia levaram-no aonde estavam dois mouros de Tunes, que sabiam falar castelhano e genovês. E a primeira salva que lhe deram foi esta, que se ao diante segue: «Ao diabo que te dou; quem te trouxe cá?». E perguntaram-lhe o que vínhamos buscar tão longe; e ele respondeu: «Vimos buscar cristãos e especiaria.» Eles lhe disseram: «Porque não manda cá el-rei de Castela e el-rei de França e a senhoria de Veneza». E ele lhe respondeu que el-rei de Portugal não queria consentir que eles cá mandassem, E eles disseram que fazia bem. Então o agasalharam e deram-lhe de comer pão [de] trigo com mel. E depois que comeu veio-se para os navios, e veio com ele um daqueles mouros, o qual, tanto que foi em os navios, começou de dizer estas palavras: «Buena ventura, buena ventura; muitos rubis, muitas esmeraldas. Muitas graças deveis de dar a Deus por vos trazer a terra onde há tanta riqueza.» Era para nós isto [de] tanto espanto que o ouvíamos falar e não críamos que homem houvesse, tão longe de Portugal, que nos entendesse nossa falta.»

Relação da primeira viagem à Índia pela armada chefiada por Vasco da Gama



Viagem de Vasco da Gama (8) - Melinde

«Neste mesmo dia  [14 de abril] ao sol-posto lançámos âncora em direito dum lugar que se chama Melinde (...).
Ao dia de Páscoa nos disseram estes mouros, que tínhamos cativos, que em a dita vila de Melinde estavam quatro navios de cristãos, os quais eram índios; e que se os quiséssemos ali levar que dariam por si pilotos cristãos, e tudo o que nos fizesse mister, assim de carnes, água, lenha e outras coisas. E o capitão-mor, que muito desejava haver pilotos daquela terra, depois de termos tratado este partido com estes mouros, fomos pousar de fronte da vila (...)

A quarta-feira, depois do jantar, veio el-rei [de Melinde] em uma zavra, e veio junto dos navios; e o capitão saiu em o seu batel, muito bem corregido, e, quando chegou onde el-rei estava, logo se o dito rei se meteu com ele. E ali passaram muitas palavras e boas, entre as quais foram estas: dizendo el-rei ao capitão que lhe rogava que fosse com ele a sua casa folgar, e que ele iria dentro aos seus navios, e o capitão lhe disse que não trazia licença de seu senhor para sair em terra, e que se em terra saísse que daria de si má conta a quem o lá mandara; e o rei respondeu que se ele aos seus navios fosse que conta daria de si ao seu povo, ou que diriam? E perguntou como havia nome o nosso rei, e mandou-o escrever; e disse que se nós por aqui tornássemos que ele mandaria um embaixador ou escreveria. E depois de terem falado cada um o que queria, mandou por todos os mouros que tínhamos cativos, e deu-lhos todos; do qual ele foi mui contente, e disse que mais prezava aquilo que lhe darem uma vila. E o rei andou folgando derredor dos navios, donde lhe atiravam muitas bombardas e ele folgava muito de as ver atirar; e nisto andaram obra de três horas. E, quando se foi, deixou no navio um seu filho e um seu xerife; e foram com ele, a sua casa, dois homens dos nossos, os quais ele mesmo pediu que queria que fossem ver os seus paços. E mais disse ao capitão que pois ele não queria ir a terra que fosse ao outro dia, e que andasse ao longo da terra, e que ele mandaria cavalgar seus cavaleiros.

Estas são as coisas que o rei trazia. Primeiramente uma opa de damasco, forrada de cetim verde; e uma touca na cabeça, muito rica; e duas cadeiras de arame, com seus coxins; e um todo de cetim carmesim, o qual toldo era redondo e andava posto em um pau; e trazia um homem velho por pajem, o qual trazia um terçado que tinha a bainha de prata; e muitos anafis; e duas buzinas de marfim da altura de um homem, e eram muito lavradas e tangiam por um buraco que têm no meio; (...)


Ao domingo seguinte, que foram 22 dias do mês de Abril, veio a zavra de el-rei a bordo (...) E como foi o recado, el-rei lhe mandou logo um piloto cristão* (...). E folgámos muito com o piloto cristão que nos el-rei mandou.»

Relação da primeira viagem à Índia pela armada chefiada por Vasco da Gama

* Tratava-se de um famoso piloto árabe chamado Ahmad ibne Majid, que os cronistas portugueses denominaram Maleno Canaqua ou Cana.

Visita do rei de Melinde aos navios

Vasco da Gama ouvindo o piloto
(pintura de José Malhoa)


Viagem de Vasco da Gama (7) - Moçambique

«E uma quinta-feira, que foi o primeiro dia do mês de Março, à tarde, houvemos vista das ilhas e da terra que se ao diante seguem; e, porque era tarde, virámos na volta do mar e pairámos até pela manhã. E então viemos entrar em a terra seguinte. […].

Os homens desta terra são ruivos e de bons corpos e da seita de Mafamede e falam como mouros; e as suas vestiduras são de panos de linho e de algodão, muito delgados e de muitas cores de listras, e são ricos e lavrados; e todos trazem toucas nas cabeças, com vivos de seda lavrados com fio de ouro; e são mercadores e tratam com mouros brancos, dos quais estavam aqui, em este lugar, quatro navios deles que traziam ouro, prata e pano e cravo e pimenta e gengibre e anéis de prata com muitas pérolas e aljôfar e rubis; e isso mesmo todas estas coisas traziam os homens desta terra. E ao que nos parecia, segundo eles diziam, que todas estas coisas vinham aqui de carreto e que aqueles mouros as traziam, salvo o ouro; e que para diante, para onde nós íamos, havia muito; e que as pedras e aljôfar e especiaria eram tantos que não era necessário restagatá-los, mas apanhá-los aos cestos. E isto tudo entendia um marinheiro, que o capitão-mor levava, o qual fora cativo de mouros e, portanto, entendia estes que aqui achámos.

Mais nos disseram (...) tinha muitas cidades ao longo do mar, e que os moradores delas eram grandes mercadores e tinham grandes naus. (...) E estas coisas e outras muitas diziam estes mouros, do que éramos tão ledos que com prazer chorávamos; e rogámos a Deus que Lhe aprouvesse de nos dar saúde, para que víssemos o que todos desejávamos.


Em este lugar e ilha, a que chamam Moçambique, estava um senhor a que eles chamavam sultão, que era como visso-rei; o qual veio aos nossos navios, por muitas vezes, com outros seus que com ele vinham. E o capitão lhe dava mui bem de comer (...)
(...) e mandou a Nicolau Coelho um pote de tâmaras pisadas, as quais tinham conserva de cravos e cominhos; e, assim, depois mandou ao capitão-mor muitas coisas. E isto foi enquanto lhes parecia que nós éramos turcos ou mouros de alguma outra parte.»

Relação da primeira viagem à Índia pela armada chefiada por Vasco da Gama




Viagem de Vasco da Gama (6) - Rio dos Bons Sinais


«Uma segunda-feira, indo pelo mar, houvemos vista de uma terra muito baixa e de uns arvoredos muito altos e juntos. E indo assim nesta rota vimos um rio, largo em boca; e, porque era necessário saber e conhecer onde éramos, pousámos; e uma quinta-feira à noite entrámos (...)
Esta terra é muito baixa e alagadiça e é de grandes arvoredos, os quais dão muitas frutas, de muitas maneiras, e os homens desta terra comem delas.

E esta gente é negra, e são homens de bons corpos e andam nus, somente trazem uns panos de algodão pequenos com que cobrem suas vergonhas, e os senhores desta terra trazem estes panos maiores. E as mulheres moças, que nesta terra parecem bem, trazem os beiços furados por três lugares e ali lhes trazem uns pedaços de estanho retorcidos. E esta gente folgava muito connosco; e nos traziam ao navio disso, que tinham em almadias, que eles têm. E nós isso mesmo íamos à sua aldeia a tomar água.


E depois de haver dois ou três dias, que aqui estávamos, vieram dois senhores desta terra a ver-nos (...). E um deles trazia uma touca posta na cabeça, com uns vivos lavrados de seda; e o outro trazia uma carapuça de cetim verde. Isso mesmo vinha em sua companhia um mancebo que, segundo acenavam, era de outra terra daí longe; e dizia que já vira navios grandes, como aqueles que nós levávamos, com os quais sinais nós folgávamos muito porque nos parecia que nos íamos chegando para onde desejávamos. (...)


E nós estivemos neste rio trinta e dois dias, em os quais tomámos água, e limpámos os navios os navios e corregeram ao Rafael o mastro. E aqui nos adoeceram muitos homens, que lhes inchavam os pés e as mãos, e lhes cresciam as gengivas tanto sobre os dentes que os homens não podiam comer.

E aqui pusemos um padrão, ao qual puseram nome: o padrão de São Rafael, e isto porque ele o levava; e ao rio: dos Bons Sinais.
Daqui nos partimos um sábado, que eram 24 dias do mês de Fevereiro; (...)»

Relação da primeira viagem à Índia pela armada chefiada por Vasco da Gama